Branqueamento dos corais

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Alguns assuntos vêm me chamando muito a atenção no livro que estou lendo: “Seis Graus”, de Mark Lynas, e um deles é o branqueamento.

Tem a ver com a acidez dos oceanos, que cheguei a postar aqui no blog, mas o tema é tão sério que merece muito mais a nossa atenção.

Antes de mais nada, é preciso entender melhor o equilibrado funcionamento de um recife de coral.

Eles são na verdade o esqueleto externo produzido por milhões de pólipos corais, que secretam carbonato de cálcio (CaCO3) em forma de ramos, leques e globos.
Cada pólipo contém algas, pequenas plantas que vivem em relação simbiótica com os seus hospedeiros animais, sendo que ambas as partes se beneficiam: o coral obtém os açúcares produzidos pelas algas através da fotossíntese da luz (transformando-os em energia), enquanto as algas retiram a sua fertilidade dos produtos eliminados pelos pólipos.

Mas, infelizmente, esse cômodo relacionamento só pode continuar em condições aquáticas adequadas.

O branqueamento é uma resposta a um estresse resultante de várias condições ambientais fora do limite normal de um determinado local, podendo ser causados por:

  • Temperatura anormalmente alta ou baixa;
  • Turbidez (níveis baixos de radiação solar);
  • Altos níveis de radiação UV;
  • Poluição;
  • Alterações químicas na água devido às altas concentrações de CO2 (acidez dos oceanos).

O branqueamento é, sem dúvida, um fenômeno recente, observado nos oceanos do mundo somente a partir dos anos 1980.
E segundo estudos científicos, não foi encontrada nenhuma evidência de que esse tipo de ocorrência pudesse ter acontecido nos milênios passados.
O primeiro branqueamento em massa ocorreu em 1998, na Grande Barreira de Coral, na costa de Queensland, Austrália.
De acordo com inspeções realizadas por mergulhadores, 90% dos corais embranqueceram nas Ilhas Virgens Britânicas, 66% em Trinidad e Tobago e 50% nas Índias Ocidentais Francesas.
E por ser um fenômeno das regiões tropicais e subtropicais, o Brasil não ficou imune a esses acontecimentos, o fenômeno foi registrado pela primeira vez no ano de 1994, em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, e observado novamente no início de 1996, em São Sebastião.

parte não branqueada de cor marrom, à direita l imagem: cebimar - usp
parte não branqueada, de cor marrom l imagem: cebimar - usp

Este é um desastre de dimensões quase incalculáveis para a biodiversidade global, atrás apenas das florestas tropicais, em termos da vibração e da diversidade da vida que eles nutrem.
Os recifes de corais pelo mundo abrigam e alimentam 1/3 de toda a vida nos oceanos, inclusive 4 mil tipos de peixes.

Qual o nosso papel?
Mudar os hábitos que contribuam com o aquecimento global e divulgar ao máximo de pessoas as ações pelo meio ambiente.

Bibliografia: LYNAS, Mark, Six degrees: our future on a hotter planet, 2007, trad. bras. Seis Graus: o aqueciment global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe, Rio de Janeiro, Zahar, 2008.

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