Artacho Jurado em Santos

Polêmico por inúmeras razões, João Artacho Jurado (1907 – 1983), deixou sua marca na arquitetura brasileira mesmo sem ser graduado arquiteto ou engenheiro. Para muitos, um empresário oportunista em uma época de grande especulação imobiliária, que ignorou os padrões arquitetônicos modernistas e genuinamente brasileiros, para agradar uma classe média alta emergente paulistana, com soluções decorativas rebuscadas e exageradas (pra não dizer cafona mesmo). Para outros, um gênio autodidata e visionário, filho de anarquistas espanhóis com grande talento para o marketing e que soube agradar um público ávido por inovações.

Em Santos, cidade onde passei toda minha infância, dois edifícios de Jurado fazem parte da paisagem urbana e do cotidiano santista, o Edifício Enseada, de 1950, localizado na Ponta da Praia e o Parque Verde Mar, de 1953, no bairro do Boqueirão. Ambos marcaram época com soluções inovadoras, como as áreas de lazer, que incluíam piscina, sala de leitura, playground e até cassino, confira alguma imagens:

Edifício Parque Verde Mar

 

vista do edifício parque verde mar a partir da orla da praia | imagem: skyscrapercity
detalhes dos arabescos na entrada do edifício | imagem: skyscrapercity
cobertura em formato amebóide no topo do edifício | imagem: trendydesign

 

Edifício Enseada

 

vista do edifício enseada a partir do canal de santos | imagem: ana costa
fachada do edifício enseada | imagem: skyscrapercity
cobertura do edifício enseada | imagem: monica kekanto

Teria sido Artacho Jurado o precursor dos condomínios de luxo de hoje, levando para dentro dos edifícios elementos de lazer em nome do conforto e da praticidade? Certamente esses diferenciais chamavam a atenção do público paulistano que frequentava a cidade de Santos nos anos 50, mas ele implantou também elementos arquitetônicos bem interessantes, como a planta em T, que facilitava a vista dos moradores dos fundos para a praia, contrastando com os grandes blocos que eram erguidos na orla santista. Enfim, em meio a tantas polêmicas, herdamos sua arquitetura, muito mal compreendida ao longo dos anos, mas que continuará sendo fonte de estudo e inspiração de muitos admiradores.

A seguir um vídeo super interessante com imagens da época, além de um tour pelo interior do Edifício Parque Verde Mar, confira.

2 comentários em “Artacho Jurado em Santos

  1. Impossível falar das coisas belas de Santos sem fazer referência ao imponente Edifício Parque Verde Mar.
    Lembro-me de meu pai, um entusiasta da cidade e de suas praias nas décadas de 50 e 60, fazendo comentários sobre o conteúdo do folheto de vendas da Construtora Monções referente ao imponente edifício: “o Verde Mar que Vicente de Carvalho tanto amou”, fazendo menção ao poeta que empresta seu nome à avenida onde o prédio foi construído, ficou gravado na minha memória.
    Passei boa parte de minha vida naquele prédio.
    No começo , o visitante era recebido por porteiros fardados, que delicadamente perguntavam qual unidade iriam visitar. Naquela época não existiam interfones e discretamente se exercia por eles um tipo de segurança.Havia junto aos salões de jogos e leitura um Bar exclusivo aos moradores que fazia a alegria da garotada.Você chegava da praia e tomava um refrigerante gelado e os adultos uma cerveja com salgadinhos.O outro salão abrigava o Play Ground , que chamávamos de parquinho,e a sala de TV para nossos pais, pois naquela época quase ninguém tinha televisão nos apartamentos.
    Foi uma época de ouro. Dispor de tudo aquilo em casa, era uma tranquilidade para os pais e uma alegria imensa para as crianças.
    O tempo passou , hoje o Verde Mar é tombado, sempre majestoso, à espera do glamour de outrora .

    1. Caro Thomaz, fiquei imensamente feliz com o seu depoimento.
      Muito obrigada por tê-lo compartilhado conosco, uma loucura perceber que foram tantas mudanças em tão pouco espaço de tempo, algumas muito boas, outras nem tanto… E pensar que ainda habitamos edifícios pensados para uma época com necessidades hoje tão distantes de nós, não é mesmo?
      Que bom que você guarda tantas lembranças boas daquela época, poucas pessoas tiveram oportunidades como essa!

      Grata e até mais,
      Karla.

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