Sobre aprendizado

Quem me acompanha sabe que nunca escrevi nada muito pessoal aqui no blog, no máximo o meu posicionamento em relação a algum assunto abordado (o que obviamente já é muito pessoal), eu quis dizer sobre a minha vida pessoal mesmo.

Pra quem ainda não sabe, eu tenho um filho especial, ele tem quase sete anos de idade e é autista. Autista de alto funcionamento, que significa que o caso dele não é tão severo, mas que demanda muitos cuidados, atenção e principalmente paciência, que eu muitas vezes não tenho.

Nunca quis escrever sobre autismo por algumas razões, a primeira delas porque acredito que existam pessoas bem mais informadas tecnicamente que eu para isso, como a Andréa Werner do blog Lagarta Vira Pupa, que presta um serviço maravilhoso a muitas famílias que buscam respostas sobre esse nosso universo paralelo. Isso sem falar dos profissionais especializados no assunto, como médicos, terapeutas, etc. E também não me sinto muito a vontade em compartilhar situações que considero muito íntimas da minha família com todo mundo, admiro mesmo quem o faça, pois acaba ajudando muita gente, mas talvez não seja o meu caso.

Enfim, essa introdução toda foi para dizer que não é fácil. Mas não é fácil pra ninguém, não é mesmo? Todo mundo tem problemas, eu sei, não acho que esses sejam maiores ou que mereçam mais atenção, só acho que as pessoas que não conhecem essa realidade precisam saber que não é nada fácil.

Quando uma mãe (ou um pai ou os ambos) recebe o fatídico diagnóstico, vários sentimentos escoam pelo ralo, várias expectativas simplesmente desaparecem e o que sobra pra gente é a certeza de que teremos inúmeras batalhas diárias a vencer. Seu filho está fora dos padrões, a vida te fala, aprenda a viver com isso, você não tem escolha e daí sabe o que te resta? Amor. Um amor louco, imensurável, que toma conta de você e o transforma em alguém que você jamais imaginou ser. O mesmo amor que te faz correr incansavelmente atrás de respostas, que te faz delirar com uma palavra pronunciada pela primeira vez após tantos anos de espera e que não te faz perder as esperanças em um futuro distante e incerto.

E o que eu posso dizer a vocês é que esse mesmo amor fez de mim um pessoa melhor em vários sentidos. Eu aprendi a valorizar as mínimas manifestações afeto. Desconstruí conceitos que cresceram comigo ao longo dos anos. Aprendi que ser é mais importante que ter e que eu não posso e nem quero ser indiferente às pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive. Que existem problemas infinitamente maiores que os meus e que a minha vida é  incrível. Aprendi a ser grata e a valorizar as pessoas boas. Aliás, me dei o direito de tê-las preferencialmente ao meu lado.

E sabe o que eu aprendi de mais importante com tudo isso? Que cada pessoa que cruza o nosso caminho está enfrentando uma batalha interna que nada sabemos a respeito.

Seja gentil sempre.

Fica a dica.

Deixe uma resposta