As bicicletas na Holanda

No final de 2012 viajei com meu marido e filho para a Holanda e, como a maioria das pessoas, fiquei encantada com aquele país. Não ficamos em hotel, alugamos um estúdio bem no centro de Arnhem e dali, graças à acessibilidade daquela cidadezinha super charmosa e à simpatia e hospitalidade das pessoas, conseguia ir a qualquer lugar que quisesse com um carrinho de bebê.

E claro que não poderia deixar de citar as bicicletas. Elas estão por toda a parte, de todos os portes e com vários acessórios tão legais que te faz morrer de vontade de ter essa rotina de transporte na sua vidinha real!

E é exatamente nesse ponto que quero chegar: a bicicleta como meio de transporte.

 

bicicleta com caixa coberta para transporte de crianças |imagem: arquivo pessoal
bike de madeira | imagem: arquivo pessoal
bicicleta infantil, estacionada e presa em frente a prédio residencial | iamgem: arquivo pessoal

Nem tudo é um mar de rosas…

Para quem acredita que a vida do ciclista em Amsterdã é o paraíso na terra, preciso dizer que a coisa não é bem assim. Vimos alguns acidentes (aliás, ninguém usa capacetes por lá), existe uma grande disputa de espaço entre ciclistas e pedestres, na maioria das vezes nada cordial e eles não gostam muito dos turistas que estão ali a passeio, afinal, as ciclovias são usada para o deslocamento diário das pessoas, e assim como no trânsito convencional de veículos, também gera o seu nível de estresse.

Além disso, a cidade enfrenta hoje um enorme problema com o excesso de bikes e a falta de espaços para guardá-las. O mais importante desses locais é o estacionamento em frente à Amsterdam Centraal Station ou Estação Central de Amsterdã, com 8 mil vagas e onde as pessoas costumam deixar suas bicicletas diariamente para ir ao trabalho.

Há 880 mil bicicletas em Amsterdã, quatro vezes mais que o número de carros e 80 mil unidades a mais que o total de habitantes. Nos últimos 20 anos, as viagens de bicicleta cresceram 40%, de modo que agora, cerca de 32% de todas as viagens dentro da cidade são feitas de bike, comparadas aos 22% das viagens de carro.

 

estacionamento de bikes na estação central de amsterdã | imagem: mobilize
um dos inúmeros tipos de bicicletários no país | imagem: arquivo pessoal

Poluição visual?

Elas estão acorrentadas por todos os lugares, postes, gradis de prédios e pontes, bancos ou qualquer outro equipamento urbano fixo, pois nenhum espaço pode ser desperdiçado, já que a cidade tem mais áreas alagadas que superfícies pavimentadas.

Cerca de 100 bicicletas estacionadas irregularmente são recolhidas todos os dias dos arredores da Estação Central, mas isso não minimiza essa prática pois muitas pessoas chegam a ter três bicicletas espalhadas pela cidade, já prevendo qualquer incidente.

 

bicicletas acorrentadas junto aos canais de amsterdã | imagem: arquivo pessoal

Pressão popular

Muitos acham que o uso das bicicletas na Holanda até os dias de hoje ocorreu naturalmente, favorecido por sua geografia plana, mas o país enfrentou graves problemas com o tráfego de veículos logo após a Segunda Guerra Mundial.

As cidades ficaram entupidas por carros e um grande número de crianças passou ser vítima dos acidentes automobilísticos nas ruas e estradas.
Foi aí que a população, revoltada com tantas mortes, com os privilégios dados aos carros e também com a desumanização das cidades, começou a se organizar em protestos por todo país e a principal campanha “Stop kindermoord” (Pare o assassinato de crianças) ganhou o apelo popular e fez com que o governo passasse a incentivar o uso das bikes.

 

protestos em amsterdã nos anos 70 | imagem: hellas pindakaas

Claro que isso não aconteceu do dia pra noite, esses protestos avançaram nos anos 80, mas certamente nos servem de inspiração, já que, sem união e pressão popular, a Holanda estaria afundada em um trânsito caótico, como acontece hoje em várias partes do mundo.

Ainda temos muito chão pela frente, mas vale a pena lutar por essa causa!

Fonte: Ducs Amsterdam

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