Poluição visual em Santos

Como muitos já devem saber, hoje em moro em São Paulo, mas vivi em Santos desde um ano de idade, sendo, portanto, praticamente uma santista. Tenho ótimas lembranças da minha cidade, da praia, dos amigos, da facilidade e interesse das pessoas em fazerem contato (em São Paulo isso é mais complicado), da paisagem, de fazer tudo a pé, do vento noroeste, de andar de manhã cedo pela beirinha do mar e por aí vai… Mas confesso que há muito tempo uma coisa me incomoda e entristece demais: o excesso de placas de comunicação visual por toda cidade, confira algumas imagens:

 

placas comerciais na av. ana costa | imagem: arquivo pessoal
praça da independência tomada por placas e poluição visual | imagem: arquivo pessoal

Não sei se os moradores já se acostumaram com essa situação e nem chegam a perceber a invasão de placas e letreiros, mas como em São Paulo tivemos o privilégio de ter implantada a Lei Cidade Limpa, acabamos nos habituando com uma paisagem urbana mais livre da poluição visual.

A Lei Cidade Limpa

A Lei nº 14.223, de 26 de setembro de 2006, surgiu para equilibrar melhor os elementos que compõem a paisagem urbana de São Paulo e busca, entre outras ações, atacar a poluição visual e a degradação ambiental, preservar a memória cultural e histórica e facilitar a visualização das características das ruas, avenidas, fachadas e elementos naturais e construídos da cidade.

Tem como outros objetivos ampliar a fluidez e o conforto nos deslocamentos de veículos e pedestres, reforçar a segurança das edificações e da população e assegurar o fácil acesso aos serviços de interesse público nas vias e logradouros.

Trouxe várias mudanças positivas e a inovação de maior impacto foi a proibição de anúncios publicitários nos lotes urbanos como muros, coberturas e laterais de edifícios, além de publicidade em carros, ônibus, motos, bicicletas, etc.

Confira algumas imagens do antes e depois da implantação da Lei na cidade de São Paulo:

 

fachada de uma loja marabraz, antes e depois da lei | imagem: magel studio
marginal pinheiros antes e depois, livre das imensas placas | imagem: veja sp
vista de um viaduto em são paulo, antes e após as mudanças | imagem: fublog

Resistência às grandes mudanças

E você acha que foi fácil? De jeito nenhum, eu lembro direitinho quando o prefeito da época, Giberto Kassab, comprou essa briga e foi extremamente criticado, não apenas pelos comerciantes, que teriam que arcar com os custos das mudanças em seus estabelecimentos, mas também por grande parte da sociedade.

A verdade é que a maioria das pessoas é avessa às mudanças, principalmente àquelas que as tiram de sua zona de conforto e mesmo ainda que essas mudanças tragam imensos benefícios às suas vidas e de toda a sociedade. Vivemos bem isso quando o uso do cinto de segurança passou a ser obrigatório em 1998, alguém se recorda? Parecia que um instrumento de tortura estava sendo imposto aos motoristas, que ignoravam o item pendurado no carro até então. Hoje temos o exemplo das ciclovias e também da redução de velocidade nas vias de grande tráfego, impostos dessa vez pelo atual prefeito Fernando Haddad.

A verdade é que todos querem viver como nos países desenvolvidos, mas na hora de fazer a sua parte, ninguém quer abrir mão do seu conforto individual e principalmente dos seus hábitos cotidianos, mesmo que estudos e a experiência mostrem que essa é a melhor solução para todos.

Voltando à poluição visual

Definitivamente, esse é o tipo de poluição que recebe menor atenção do poder público, já que suas consequências são menos perceptíveis a curto prazo, por serem questões psicológicas ligadas ao conforto visual e ao bem estar. Mas por experiência própria e por ter passado por essa transição da Lei Cidade Limpa em São Paulo, posso garantir que as mudanças só trouxeram vantagens aos seus habitantes. A cidade se livrou do excesso de informações publicitárias, totalmente desnecessárias, além de muitas vezes mal feitas e sem respeitar qualquer critério estético.

No centro histórico, por exemplo, podemos apreciar fachadas que antes não eram nem vistas, graças às placas e letreiros que precisavam chamar a atenção do público a qualquer custo. Quem não lembra dos imensos totens do Mc Donald´s espalhados pela cidade?

Eu ainda acredito no bom e velho “menos é mais” e os estabelecimentos comerciais que tomam os devidos cuidados com suas placas e ainda conseguem chamar a atenção dos clientes unindo bom gosto e bom senso, merecem todo o nosso respeito e preferência!

E você, já prestou atenção em quanta informação desnecessária ocupa espaços indevidos em sua cidade?

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